João Pedro Vale
 
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O Futuro Não Tem Fim


"É óbvio que nós precisaríamos de ter uma palavra geral pela qual designássemos um órgão metamorfoseado em formas tão diversas e com a qual pudéssemos comparar todas as manifestações da sua forma: presentemente, temos de nos contentar em exercitarmos-nos no confronto entre as manifestações de um ponto de vista progressivo e regressivo"

(Metamorfose das Plantas, Goethe1)


“To maintain control over our work, directing our energies to the demands of the social conditions as opposed to the demands of the art market”

(Group Material2)


“Os mais poderosos elementos numa obra de arte são, muitas vezes, os seus silêncios”

(Susan Sontag3)


Silence = Death, 2015

(Obra de João Pedro Vale / Nuno Alexandre Ferreira)


“When there's no future / How can there be sin”

(“God Save the Queen”, Sex Pistols)



Antes de ler este texto, aconselha-se a leitura de “1987”, o capítulo do manual Art Since 1900. Modernism. Antimodernism. Postmodernism dedicado à emergência de um novo género de estética queer, herdeira de práticas vanguardistas, que parece surgir na década de 1980, associando arte e activismo político, num contexto de extrema urgência política. Tendo em conta que a utopia ou o elemento utópico é um dos aspectos mais dinamizadores da história da cultura ocidental uma vez que ela pressupõe uma crítica sobre formas históricas dominantes da realidade, propondo o impossível (?), aconselha-se, ainda, a leitura da “Epístula”, de Utopia, de Thomas More, onde o autor nos alerta: “a grande maioria dos homens é ignorante e muitos desprezam a sabedoria. Os que são rudes e bárbaros só aceitam o que, à sua semelhança, se apresenta bárbaro e rude. E mesmo os que possuem laivos de conhecimento rejeitam, como obra descuidada e comum, tudo o que não abarrota de velhas expressões, roídas pela traça e fora de moda. Alguns só encontram prazer em velhas e rudes antiguidades”4, etc, etc… A seguir, “open your ass and your mind will follow”, como nos propõe um dos desenhos de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira - publicado na fanzine Cruising Utopias (CU), impressa em papel cor-de-rosa, que os artistas produziram especificamente para esta exposição. Mas lubrifique para evitar fissuras. Ou não. E experimente o prazer latejante da ferida aberta. Prosseguimos, então, meio doridos, sabendo que “como não há nada mais tolo que tratar as coisas sérias de maneira frívola, também nada há mais divertido que parecer tratar a sério as coisas divertidas”5. Se, como nos recorda Hal Foster, no texto Who’s Afraid od the Neo-Avant-Garde?, “if the historical and the first neo-avant-gardes often suffered from anarchistic tendencies, the second neo-avant-garde sometimes succumbs to apocalyptic impulses6, desta exposição podemos retirar que provavelmente, como diriam os punks, “NÃO HÁ FUTURO PARA TI!”. É o fim!


Traumatismo

As obras da dupla João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, esculturas mais e menos expandidas, de grande virtuosismo material, partem quase sempre de uma imagem, de uma situação real - “as imagens emergem na necessidade e é na necessidade de que elas se aproximam cada vez mais da realidade”7 -, que na cabeça dos artistas se revela traumático (“realismo traumático”?) identitário, anedótico, convencional… e que se torna objecto de conhecimento e de exploração, claro, escultórica – sem pudor, implicando uma formulação processual, do tipo situacionista, que procura reconfigurar fenómenos, resgatando-os, desmontando-os, remontando-os, assemblando-os e violando-os. Por exemplo, a obra Belém (2015) – o interior da Galeria Presença, no Porto, pintada com mesmo código de cor do Palácio de Belém (CIN – natural color system – Oxano 309 / Rosa Lapa), acolhe outras obras como Discreet (2015) ou Pedras no Caminho (2015), ou Homophobia is not cute (2015) numa situação de confronto ideológico evidente, entre os poderes político e galerístico (a proprietária da Galeria chama-se Belém) estabelecido e o discurso marginal.

O título e a forma como esta dupla de artistas pensa esta exposição, como referem no press release, parte da leitura do livro de José Esteban Muñoz, Cruising Utopia – The Then and There of Queer Futurity8 – também se aconselha a leitura deste livro (eu não o li, por enquanto). Ainda, no press release, referem que “no seu conjunto, estes trabalhos pretendem reflectir sobre questões já presentes no percurso dos artistas, nomeadamente as ideias de comunidade e a sua impossibilidade, de utopia enquanto projecção futurista e a noção de assimilação cultural enquanto acto recíproco. Com um discurso particularmente centrado na temática queer, os artistas recorrem a uma estética punkcore para reflectir sobre o sentido dos movimentos contestatários num contexto actual dominado pela globalização dos valores e sua subjugação aos interesses económicos”. Um programa ambicioso, diríamos, com tanta coisa para fazer, para cruzar e engatar: Amor, homofobia, pobreza, futuro, sexo, corpo, cuecas, casamento, dinheiro, anarquia, arte, morte, violência. Arte e desilusão.


Discreto

Engatemos, então: Para “Cruising Utopias”, na Galeria Presença, no Porto, a dupla de artistas apresenta uma série de obras – quase todas inéditas – numa forma de exposição que, cruzando criticamente diversos dispositivos e estratégias, investe sobre a possibilidade de uma arqueologia artística e estrutural do saber relativo ao universo dito “queer” – revivificar?. Há uma história da arte queer e uma história do activismo queer, cheias de símbolos e desafios semióticos, aqui e ali, na pintura, na escultura, nas instalações, na produção vernacular, etc., estruturados pelos mais diversos aspectos contextuais, geográficos, ideológicos, passíveis de serem retrabalhados, cruzados. É aqui que, a propósito, nos parece relevante introduzir os conceitos de arquivo e de apriori histórico, termos tão fundamentais, desde sempre, no modo de produção desta dupla de artistas, na forma como trabalham as narrativas e no modo como constituem formas alternativas de arquivo. Foucault relembra em Arqueologia do Saber, que “as obras diferentes, os livros dispersos, toda essa massa de textos que pertencem a uma mesma formação discursiva – e tantos autores que se conhecem e se ignoram, se criticam, se invalidam uns aos outros, se plagiam, se reencontram, sem o saber, e entrecruzam obstinadamente os seus discursos singulares numa trama da qual não são senhores, de cujo todo não se apercebem e cujas dimensões medem mal, todas essas figuras e essas individualidades diversas não comunicam apenas através do encadeamento lógico das proposições que adiantam, nem pela recorrência dos temas nem pela obstinação de uma significação transmitida, esquecida, redescoberta; comunicam pela forma de positividade do seu discurso”9.

Há relações de poder e estruturas ideológicas dominantes que importa desconstruir, identificando as variantes, e percebendo como se pensa o que se pensa, resgatando as exclusões e os marginais – será este o papel da arte? Pergunta, Foucault: “(...) em determinado tipo de discurso sobre o sexo, em determinada extorsão de verdade, que aparece historicamente e em lugar determinado (...) quais são as relações de poder, as mais imediatas, as mais locais, as que estão actuantes?”10 Numa tentativa quase impossível de ensaiar sobre a totalidade de imagens e construções que desde sempre enformam a nossa visão sobre um assunto, cruzando e resgatando outras histórias, diferentes perspectivas, símbolos, sonhos, utopias, elementos culturais diversos – da História da Arte, do movimento punk, do universo das fanzines, da música, dos meios de comunicação social (onde se incluem as redes sociais, sites ou aplicações de engate gay)… -, estas obras questionam, por vezes cinicamente, sobretudo: “mas o que há afinal de tão perigoso no facto de as pessoas falarem e de os seus discursos proliferarem indefinidamente? Onde está então o perigo?”11

Estes diferentes trabalhos, arrumados sob o título de “Cruising Utopias”, sem caírem na falácia de uma “arte da denúncia”, procuram reflectir sobre o lugar político da arte, o papel do artista, sobre a fragilidade dos signos no quotidiano e no contexto artístico, sobre o estatuto do documento, as relações entre forma e conteúdo, entre individual e colectivo, estético e político e sobre as fissuras do(s) discurso(s) dominante(s). Nestas diferentes obras, percebemos os desvios, as lacunas, as contradições, os acidentes, os erros, as progressões e as regressões do modo como lidamos com a vida. Aqui, nas obras de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, “o inventário do quotidiano é acompanhado pela sua negação através do sonho, do imaginário, do simbolismo – negação que supõe também a ironia perante os símbolos e o imaginário”12. Cada uma destas obras, desafia-nos a traçar uma origem, uma história. São estranhas mas explícitas sínteses poéticas. São esculturas tumulares. Pedem memória e questionam o sufocante processo de normalização e institucionalização e uma certa orientação histórica (heteronormativa).


Ruínas

Como conviver com as ruínas da história, com os seus fracassos, com as ruínas das várias utopias? Estas obras, resgatando e cruzando diferentes ruínas, questionam sobre “como amar outra coisa que não a possibilidade da ruína?"13. A utopia é, sem futuro, ruína. Traumatiza-nos. Sem futuro, deixa marcas, vestígios e determina – são estruturas, estruturantes, estruturadas - a forma como encaramos a vida, como nos relacionamos com os diferentes aspectos do processo civilizacional: aceitando-o ou recusando-o. A utopia é uma forma de beleza. É talvez a maior forma de beleza. Ou talvez não, se pensarmos na utopia nazi por detrás do programa de extermínio da homossexualidade da sociedade ao lado do imenso extermínio judeu, cigano... Como ruína, pode ser conservada, destruída, reconfigurada. Olhemos, a propósito, para Fountain (2015) provavelmente a obra mais comovente de CU, com evidente referência duchampiana: um triângulo cor-de-rosa, emblema que nos campos de concentração identificava os homossexuais, no canto de uma das salas da galeria como se se tratasse de um urinol. Para Marguerite Yourcenar, "(...) ce que je trouvais très beau, c'étaient surtout les ruines, le sentiment du temps qui avait passé et qui permettait de juger, de décantier en quelque sorte les événements du passé. Le sentiment, très fort, de très bonne heure, que chaque période, chaque réponse est comme une espéce de nuage qui se forme, prends certains aspects, de grandes agglomérations qui s'étirent, se défront et qu'on ne reverra plus jamais"14. Cada época tem utopias. Cada época é produtora de ruínas. É sobre o cruzamento de diferentes ruínas/utopias, resgatadas de diferentes formas, que o trabalho de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira investe em “Cruising Utopias”, numa formulação melancólica mas profundamente reivindicativa do lugar do artista e da arte no tecido da vida ao permitir questionar a forma de uma determinada forma de mostrar ou apresentar discurso, seja esse discurso artístico, político, filosófico ou de qualquer outra natureza. Sobre o que significa, em arte, dar a ver. “To look is an act of choice”15.


Inconsciente cultural

O que “Cruising Utopias” nos dá a ver é um histriónico parque temático (onde o preto e o cor-de-rosa predominam - cores características de algumas modalidades estéticas queer do tipo punk), sobre as complexidades sociais e políticas queer contemporâneas, expondo cinicamente as suas fragilidades e hipocrisias e formas de marginalização, enfrentando mitos, personalidades, narrativas, enunciados, numa paródia quase pornográfica e excessiva sobre os desejos do ser humano, construindo fantasias anárquicas e desmontando a conformidade social e o ubíquo controlo moral. Cruising Utopias explora um extenso campo de actuação moldado por violações, memórias, impulsos, desejos e fantasias utópicas. Ao satirizarem a figura do artista, a dupla João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira expõe as fragilidades do discurso artístico, o colapso dos significados, manipulando semanticamente materiais, numa estética mediática, como nos têm habituado, profundamente erótica (o meio é a mensagem - McLuhann?), recuperando-os e devolvendo-os, numa atitude transgressora que os aproxima, em grande medida, dos cínicos da antiguidade. Encontramos nas diferentes obras cruzamentos constantes, assimilações formais, exclusões e substituições semânticas, fragmentos de linguagem, blasfémias, através de um uso virtuoso e expressivo da ironia, misturada com conceitos ridículos, triviais e eruditos. As estranhas representações são directas, objectivas e procuram dar conta de vários factos ou aspectos da vida, mas com uma imensa veia inventiva, manifestam uma certa aspereza, desdém e amargura perante a estupidez humana, perante o mal, a injustiça e hipocrisia da sociedade actual.

Como nos relembra Norbert Elias, no seu colossal estudo sobre Processo Civilizacional, “os homens do Ocidente não se comportaram sempre da maneira que hoje é costume considerar ser típica deles e ser a marca de homens ‘civilizados’”16. O cínico, na sua formulação antiga, antes e agora, mais artisticamente ou politicamente, permite-nos, justamente, desmascarar esse mesmo processo, identificar os seus aspectos artificiais e irracionais, as suas interligações e interdependências comportamentais, os automatismos, as regulamentações integradoras, os pilares da diferenciação social, a violência do autodomínio, as razões da conformação e modelação social, e, sobretudo, entender aquilo que nos leva a refrear as pulsões naturais do ser e a desenvolver o pudor. “O kíniko estigmatiza pois um facto corrente: os seres humanos são agrilhoados pelos mandamentos profundamente enraizados da vergonha. Os costumes, incluindo as convenções da vergonha, poderão ser falsos; só a sua verificação ante os princípios da natureza e da razão nos pode dar uma base segura”17. Para Peter Slotedijk, o actual cinismo (razão cínica) resulta da perda das ilusões iluministas, da presença de uma “falsa consciência” na actualidade e na sociedade. A razão cínica é uma razão que sabe que falhou, que contribuiu para uma instrumentalização da vida em prol do mal. É, assim, importante, para este autor, resgatar as virtudes do kinismo, o cinismo antigo, através da insolência e invectiva, na procura de uma maior consciencialização do ser. Hal Foster, por sua vez, e partindo do conceito de razão cínica, uma estrutura paradoxal do pensamento desenvolvido por Peter Sloterdijk, e do conceito de simulacro de Baudrillard, elabora um extenso argumento em torno daquilo que ele considera ser a “arte da razão cínica”: “simulation painting” e “commodity sculpture”; relação entre arte e mercado... A década de 1980, depois da expansão disciplinar e estética, estabelecia novos fetichismos e uma “estética convencionalista” que reflectiu sobre as questões da simulação. Ou seja, “a specific cynical reason has developed within contemporary art, especially in the crisis of criticality that followed appropriation art18. Assiste-se, assim, a uma série de literalizações satíricas e inversões estratégicas que vão definir, em grande medida, o universo artístico contemporâneo. Com uma atitude filosoficamente ou poeticamente cínica, os trabalhos de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira – cada uma destas obras é uma chaga com ferida aberta -, criticando o conceito de estilo, colocam a nu as normas e as falácias discursivas que sustentam determinados aspectos do quotidiano, ideologias, rasteiras discursivas dos vários activismos, da própria arte e do seu sistema, denunciando a hipocrisia do processo civilizacional, das suas relações, figurações, redes de interdependência que permitem, no limite, a manutenção de um certo poder estabelecido. Afastam-nos do mundo e devolvem-nos o mundo. This is not a love song. São pedras no caminho. Não é amor. São só manchas nas minhas calças. Hoje, o arco-íris tem 7 cores negras. Vergonha. Don’t ask, don’t tell. Há 100 futuros impossíveis. “A reprodução é o princípio da morte”19. Assimila isto!


O autor deste texto é muito homossexual. #jesuisgay

O autor deste texto não segue o acordo ortográfico.

O autor deste texto não foi pago por este texto.


Pedro Faro

Poiais de São Bento, Lisboa, 2015



1 GOETHE, A Metamorfose das Plantas, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 1993, p. 58

2 in FOSTER, Hal; KRAUSS, Rosalind; BOIS, Yves-Alain; BUCHLOH, Benjamin; Art Since 1900. Modernism. Antimodernism. Postmodernism, Thames & Hudson, London, 2004, p. 607

3 SONTAG, Susan, Contra a Interpretação e outros ensaios, Gótica, Lisboa, 2004, p. 60

4 MORE, Thomas, Utopia, Publicações Europa-América, Lisboa, 1977, p. 15

5 ERASMO, Elogio da Loucura, Publicações Europa-América, Lisboa, 1973, p. 13

6 FOSTER, Hal, “Who’s Afraid of the Neo-Avant-Garde?”, The Return of the Real, The MIT Press, Cambridge, Massachusetts, 1996, p. 25

7 BROCH, Hermann, A Morte de Virgílio, Relógio d’Água, Lisboa, s/d, p. 108

8 Como refere a sinopse do livro no site da NYU Press: “The LGBT agenda for too long has been dominated by pragmatic issues like same-sex marriage and gays in the military. It has been stifled by this myopic focus on the present, which is short-sighted and assimilationist.
Cruising Utopia seeks to break the present stagnancy by cruising ahead. Drawing on the work of Ernst Bloch, José Esteban Muñoz recalls the queer past for guidance in presaging its future. He considers the work of seminal artists and writers such as Andy Warhol, LeRoi Jones, Frank O’Hara, Ray Johnson, Fred Herko, Samuel Delany, and Elizabeth Bishop, alongside contemporary performance and visual artists like Dynasty Handbag, My Barbarian, Luke Dowd, Tony Just, and Kevin McCarty in order to decipher the anticipatory illumination of art and its uncanny ability to open windows to the future.
In a startling repudiation of what the LGBT movement has held dear, Muñoz contends that queerness is instead a futurity bound phenomenon, a "not yet here" that critically engages pragmatic presentism. Part manifesto, part love-letter to the past and the future, Cruising Utopia argues that the here and now are not enough and issues an urgent call for the revivification of the queer political imagination.” - http://nyupress.org/books/9780814757284/

9 FOUCAULT, Michel, A Arqueologia do Saber, Almedina, Coimbra, 2005, p. 171

10 FOUCAULT, Michel, História da Sexualidade I – A Vontade de Saber, Relógio d’Água, Lisboa, 1994, p. 100

11 FOULCAULT, Michel, A Ordem do Discurso, Relógio d’Água, Lisboa, 1997, p. ?

12 LEFÉBVRE, Henri, A Vida Quotidiana no Mundo Moderno, Ulisseia, Lisboa, 1969, p. 11

13 DERRIDA, Jacques, Memórias de Cego. O Auto-retrato e outras Ruínas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010, Lisboa, p. 74

14 YOURCENAR, Marguerite, Les Yeux Ouverts. Entretiens avec Matthieu Galey, Éditions dy Centurion, Paris, 1980, p. 55

15 BERGER, John, Ways of Seeing, Penguin Books, Londres, 2008, p. 8

16 ELIAS, Norbert, O Processo Civilizacional, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2006

17 SLOTERDIJK, Peter, Crítica da Razão Cínica, Relógio d’Água, Lisboa, 2011, p. 223

18 FOSTER, Hal, “The Art of Cynical Reason”, in FOSTER, Hal, The Return of the Real, MIT Press, Massachusetts, 1996, p. 118

19 JOYCE, James, Retrato do Artista Quando Jovem, Publicações Europa-América, Mem Martins, s/d, p. 222